Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais

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Palavra do Presidente

Editorial
Revista da ANCLIVEPA-SP - Nº 60- 2008


   

Em 2009, eleições na Medicina Veterinária


Marco Antonio Gioso
Presidente da ANCLIVEPA-SP
Gestão 2006-2009

   Estamos novamente em fase de eleições em nosso CRMV-SP. Nossa entidade, a ANCLIVEPA-SP, tem bastante a contribuir com nomes para lá atuar e ações a serem tomadas. A nosso ver, a diretoria de qualquer entidade que seja deve ser pautada pela ética, honestidade, mas isto é lugar-comum e nem se discute sua relevância, pois é o mínimo que se espera. Mas e além disto? O que você, colega, espera de um líder dentro de uma entidade? A nosso ver, que ele aja de fato, atue, empreenda, resolva e não diga que vai fazer.

   É de consenso desta ANCLIVEPA-SP algumas características fundamentais para exercer um cargo de direção:

- credibilidade, integridade, honestidade e sinceridade comprovadas;
- seguir leis e normas;
- qualificação no gerenciamento de pessoas e processos (ser de fato qualificado para tal, e não agir de maneira amadora);
- ter histórico de realizações e ações concretizadas para o engrandecimento da profissão, especialmente que tenham afetado positivamente a classe;
- capacidade de administrar, gerir, negociar e usar análise lógica para desenvolver planos específicos para a tomada de decisões;
- conhecimentos na área de marketing e psicologia aplicada a negócios;
- conhecimentos amplos na área de medicina veterinária e zootecnia;
- fomentar grupos de discussão para resolução de problemas;
- não ter medo de assumir riscos embasados em informações precisas;
- ter eficiência comprovada de ação e de resultados;
- ter idéias inovadoras e originais;
- trazer para si as responsabilidades (ter controle da situação);
- ter total comprometimento pessoal como presidente ou diretor;
- tolerar ambigüidades e incertezas do dia-a-dia da classe;
- planejar o futuro de sua entidade para os próximos 10, 20 e 30 anos, com objetivos e metas palpáveis, mas abrangentes (ter visão);
- saber usar os recursos disponíveis com eficiência;
- resolver problemas com habilidade para mudar de estratégia ou identificar novas soluções;
- saber identificar o bem-estar dos colaboradores;
- reconhecer a importância das relações humanas: atuar para desenvolver relações cordiais e uma boa reputação com os colaboradores, profissionais e outros da sociedade;
- iniciar atividades que busquem trazer valorização do profissional;
- atuar politicamente, com penetração no vários níveis;
- atuar como um verdadeiro líder (e fazer com que a classe o veja como tal, pelo seu exemplo, e não imposição);
- fazer seus representados terem orgulho de sua atuação.

   De todo o exposto, é impossível alguém que tenha todas estas características. Difícil é apontar um grupo das mais relevantes.

   Notadamente, no caso de um CRMV, porém, uma ação seria premente e que fosse realizada em qualquer Conselho de qualquer estado da nação: tratar o médico veterinário com decência e carinho.
   Se leis existem e devem ser cumpridas, junto com elas existe algo que se perdeu: a solidariedade, o respeito pelo colega, em vários níveis.

   Chegará o dia em que um médico veterinário e zootecnista serão tratados pelos órgãos de classe como os agentes mais importantes desta cadeia, deste sistema. Pois o sistema somente existe por causa dele. Ele deve ser respeitado ao máximo, para que se crie de fato uma cadeia de respeito e uma cultura de atendimento personalizado e eficiente.

   Cremos estar longe deste dia, mas não perderemos a esperança. Somos tratados em muito locais como verdadeiros palhaços, no bar da esquina, no restaurante, na loja, no aeroporto, nas autarquias, nos bancos. Ao menos onde depende de nós, profissionais, que comecemos a mudar os caminhos para uma trilha mais florida e que possa levar os colegas dizer em alto e bom tom que têm orgulho de ser médico veterinário ou zooctenista. Que sua família tenha orgulho de sua profissão!

   Estamos fartos de mesmices, de fisiologismos, de seguir a vaca sem sabermos a qual brejo. Basta! Precisamos agir, retomar nosso crescimento intelectual como profissionais, começar a exigir valorização, alcançar objetivos grandiosos, mesmo que para gerações futuras. Deixar de imediatismos, pensar a profissão ao longo das próximas décadas.

   Influenciar os políticos, trabalhar junto a eles, atuar no cenário estadual e nacional, mostrar que os profissionais são dignos do título que carregam, que têm intelecto, que trazem bagagem e que podem mudar os destinos do estado e da nação. Há que se unir às empresas, sejam micro, pequenas, médias ou grandes, pois elas geram empregos, possibilitam sonhos, desenvolvem pesquisas, atuam de forma parceira com os profissionais.

   Urge mostrar à sociedade que ela precisa destes profissionais, sem titubear, sem medo de errar, sem hesitação nas tomadas das ações. Nossa pujança deve ser externada ao mundo.

   Devemos parar de nos digladiar em processos jurídicos e arregaçar as mangas e de fato fazer, não na teoria, mas na prática. Não por decisões pautadas apenas nos meios acadêmicos, mas na realidade do dia a dia do profissional que lida com as vicissitudes que o meio impõe. Fazer o profissional enxergar que 200 e poucos reais por ano é ínfimo pelo que o CRMV oferece a ele. Trazer de volta sua auto-estima como profissional.

   Não há salvador da pátria, há que se formar líderes que queiram agir, por terem convicção de poder de fato auxiliar neste processo. Chega de propostas que não se cumprem nunca, ou por vezes parcamente. Sejamos humildes em aceitar que nem tudo pode ser feito, mas o pouco a que nos propomos, que seja de fato cumprido. Que saibamos dos limites existentes, mas que eles sejam plenamente alcançados por estabelecimento de objetivos e metas, com prioridades a médio e longo prazo. Os de curto prazo dependem apenas de planejamento exeqüível.

   Enfim, o profissional deve ser novamente respeitado, em todos os níveis, e temos plena convicção de que isto é possível, desde que aja uma liderança encorajada pelos bons profissionais, independente de qual grupo estiver à frente do processo. Você quer o que para seu futuro?
   
   Quem muito fala e nada faz? Ou quem realmente já fez, mostrou que fez, atuou, mudou os rumos dos processos, empreendeu, atuou de forma inequívoca pelo engrandecimento da nossa digna profissão? Pense bem nisto. Vote bem.

 
Site atualizado por MV Jonathan Ferreira