A NATUREZA DA LUZ
A compreensão das propriedades luz e da cor
é fundamental para o entendimento da cromopuntura.
Apesar da luz e da cor terem merecido a atenção
desde a antiguidade, sua real natureza foi
por muito tempo completamente desconhecida.
A formulação de leis gerais e especulação
sobre a teoria da luz originase na Grécia
e Arábia. As idéias de que luz é emitida por
uma fonte e refletida por um objeto e então
atinge o olho produz a sensação de visão foi
idealizada por Epicurus, um filosofo grego
300 a.C.). Ângulos de refração foram medidos
por Ptolomeu em Alexandria um astrônomo do
século I), que deduziu corretamente que o
raio luminoso muda de direção quando penetra
em um meio mais denso. As leis de reflexão
e refração foram descobertas juntas por Pierre
Fernet, um matemático francês do século XVII.
A idéia de propagação retilínea da luz foi
aplicada há muito tempo atrás. Euclides estava
familiarizado com a idéia básica, mas a teoria
principal foi desenvolvida por Leonardo da
Vinci, uma completa descrição das sombras
dada pelo astrônomo dinamarquês Johannes Kepler
em 1604.
Aproximadamente na metade
do século XVII (1650), existiam duas teorias
para explicar a natureza da luz: a teoria
corpuscular e a teoria ondulatória. Christian
Huygens, um holandês, defendia a teoria ondulatória,
e na Inglaterra, Isaac Newton, defendia a
teoria corpuscular, apesar de não rejeitar
completamente a teoria ondulatória. Newton
estabelece a periodicidade (uma das idéias
básicas da teoria ondulatória) em uma fórmula
que antecipava a mecânica quântica. Newton
também observou que a luz branca, após passar
através de um anteparo de vidro ou prisma,
pode ser separada em um espectro de diferentes
cores reproduzindo um arco íris. Esses achados
mostram que a luz branca contém todas as cores.
Após penetrar no anteparo, cada cor “curva”
em um ângulo diferente, porque cada uma vibra
em um comprimento de onda especifico. Ele
também estabeleceu uma técnica para determinar
o comprimento de onda de cada cor.
FIG.01 - DISPERSÃO DA LUZ BRANCA QUANDO ATRAVESSA
O PRISMA.
Em 1873, James Clerk Maxwell
(nascido em Edimburgo em 1831) propôs a teoria
eletromagnética da luz. A existência de uma
conexão entre eletromagnetismo e a luz já
tinha sido proposta por Michel Faraday, na
Inglaterra, que observou a rotação do plano
de polarização de um raio de luz por um campo
magnético, mas Maxuell formulou as regras
matemáticas que governam a radiação eletromagnética.
Partindo dessa equação, Maxwell hipotizou
a existência de ondas eletromagnéticas transversais
que tinham uma constante de aceleração c no
vácuo (299.792,5 Km/s), e que posteriormente
muitos físicos demonstraram ser a velocidade
da luz.
O termo radiação eletromagnética descreve
a transferência de energia no espaço por campos
elétricos e magnéticos, sem transferência
de matéria. A luz é designada como uma classe
de radiações eletromagnéticas visíveis pelo
olho humano (apesar da definição, algumas
vezes incluem classes que não são visíveis).
A teoria de Maxwell é uma teoria de ondas
em um meio contínuo. O físico alemão Max Planck
demonstrou que o calor radiante é emitido
em quantidades finitas, as quais são atualmente
denominadas quanta.
Inicialmente acreditou-se que permaneceria,
sem modificação, a teoria de ondas eletromagnéticas
para a luz livre no espaço e o uso do conceito
de quantum somente em relação à interação
entre radiação e matéria. Entretanto em 1905,
Albert Einstein mostrou que, no efeito fotoelétrico,
a luz é toda conduzida em concentrados de
energia quântica, partículas de energia agora
denominadas fótons. No mesmo ano, Einstein
publicou a teoria da relatividade, a qual
modificava o papel da física, e dava um papel
especial à constante de velocidade c. Por
causa da luz, em algumas situações s conduzir
na forma de ondas e em outras como partículas,
foi necessário ter uma teoria que predissesse
quando e em que situação cada tipo de comportamento
se manifesta. O maior desenvolvimento do mecanismo
quântico se deu entre 1925 e 1935.
A luz de uma fonte comum é emitida por átomos
não correlacionados, então há uma irregularidade
ou incoerência entre as ondas emitidas por
diferentes átomos. A teoria da emissão estimulada
postula que sobre certas condições os átomos
podem fazer uma radiação em fase, então uma
radiação coerente pode ser mantida indefinidamente.
A realização prática dessa condição, que previamente
parecia impossível, foi conseguida em 1960
– o Laser.
Hoje a teoria da luz chegou a um ponto no
qual todos os fenômenos terrestres estão incluídos
em uma teoria lógica.
ESPECTRUM LUMINOSO
A luz branca pode ser dispersa dentro do espectro
por refração, difração interferência. Newton
mostrou que uma fenda é usada adequadamente
para selecionar uma pequena região espectro,
a luz que passa através fenda é muito mais
homogênea que luz branca original, e não observou
qualquer dispersão quando passou essa luz
através de um segundo prisma. Métodos delicados
de interferometria, todavia, mostram que essa
luz nunca é inteiramente de um único comprimento
de onda, entretanto o tamanho da fenda pode
selecionar uma quantidade de comprimentos
de ondas. O índice de diversidade de comprimentos
de ondas para essa quantidade de luz mede
a pureza do espectro.
Luz, bem como outras radiações eletromagnéticas,
tem um caráter ondulatório e é especificada
pelo comprimento de onda que a caracteriza
mais especificamente do que a cor. Na luz
monocromática, cor e comprimento de onda estão
associados. Entretanto, como disse Newton
“os raios, para falar corretamente, não são
coloridos”. Cor é uma sensação na mente humana.
Luz de determinado comprimento de onda pode
estimular o sistema visual de tal forma que
a sensação de uma cor é produzida. O caminho
pelo qual o sistema visual analisa a cor é
totalmente diferente do caminho pelo qual
instrumentos físicos formam o espectro.
Porque radiações eletromagnéticas de comprimento
de onda mais curto estão na ordem de diâmetros
atômicos, medidas especiais são empregadas
para especifica-las. A unidade Angstron, simbolizada
por Å, dada pelo físico suíço Anders Jonas
Ångström é igual a 10-10 metros. A luz visível
tem uma variação de comprimentos de onda que
vai de aproximadamente 4000 Å (violeta) a
7000 Å (vermelho).
È mais conveniente especificar uma onda eletromagnética
pela freqüência na qual ela oscila ou vibra
do que pelo comprimento de onda. Freqüência
(v), geralmente expressa o número de oscilações
por segundos ou Hertz (Hz). O comprimento
de onda é inversamente proporcional à freqüência
(v). O produto entre a freqüência (v) e o
comprimento de onda é igual a constante c
(v=c), a velocidade das luz no vácuo.
O espectro pode ser produzido na natureza
de várias formas. O arco íris é o mais notável
deles. Ele é formado pela reflexão e refração
da luz nas gotas de chuva. Os raios surgem
das gotas e são propagados para fora delas,
mas para cada comprimento de onda há um ângulo
mínimo de desvio e há concentração de energia
nesse ângulo. O vermelho é sempre visto do
lado de fora e o azul do lado de dentro da
curvatura. Um arco íris mais fraco é formado
pelos raios que foram refletidos duas vezes,
neste as cores são invertidas. Um arco íris
pode ser considerado como um espectro do sol.

FIG.02 - SELEÇÃO DE LUZ COLORIDA (VERDE). A
COR É OBTIDA UTILIZANDO-SE FILTROS TRANSPARENTES
SOMENTE PARA UMA CLASSE DE COMPRIMENTOS DE ONDA.
Luzes de diferentes cores
também podem ser selecionadas por filtros,
que são transparentes somente para uma específica
classe de comprimentos de ondas. A pureza
da luz colorida obtida, portanto, é geralmente
baixa se comparada à luz decomposta por um
prisma e selecionada por uma fenda (laser).
LUZ E ÁTOMO
Um átomo isolado pode existir como estrutura
estável somente em certos estados distintos,
denominados estado de energia ou estado estacionário,
e a medida de energia desse átomo será o resultado
de um dos valores característicos desse átomo.
Sob condições normais, um átomo está sempre
no seu menor estado possível de energia, ou
ao redor desse estado.
Se um átomo está em estado neutro e lhe é
dada uma quantidade de energia, ele passará
a um estado excitado e liberará essa energia
extra espontaneamente, voltando ao seu estado
de menor energia. Essa energia extra é freqüentemente
emitida como radiação eletromagnética, portanto
aparece uma luz de um comprimento de onda
distinta, chamada linha espectral.
A energia emitida por um átomo é geralmente
carregada por um photon, emitido a uma determinada
freqüência (v). A energia do photon (E) é
igual a uma constante multiplicada pela freqüência
(E=hv) onde h é a constante de Planck (6,6256x
10-34 jaule/segundo). Quanto maior a energia
do photon maior é a freqüência da onda eletromagnética
(ondas curtas). Radiações de alta energia
como RX e Rd (freqüências com amplitudes de
1015 a 1021 Hz), tem energia suficiente para
remover elétrons dos átomos, e então, produzir
radiações ionizantes que são radiações muito
penetrantes. A luz visível (4-7 x 1014 Hz)
não é ionizante e é, portanto, menos penetrante.
Mas as luzes azul e violeta (maiores freqüências)
são mais energéticas e penetrantes que as
luzes laranja e vermelho.
UTILIZAÇÃO DA LUZ COMO TERAPIA
É importante compreender a relação entre cor,
comprimento de onda, calor e ionização porque
dependendo dessas variáveis uma cor irá exercer
efeitos físicos diferentes. Ondas longas possuem
menos energia, portanto, penetram menos nos
tecidos do que as ondas curtas e produzem
mais calor local. Isso explica, por exemplo,
o nível de profundidade diferente em que um
organismo pode ser lesado pela exposição excessiva
ao calor ou aos raios X. Uma cor da faixa
do vermelho (maior comprimento de onda) vai
ser acompanhada por uma produção de calor
bem maior do que as cores da faixa do violeta,
mas estas cores da faixa do violeta já terão
misturado algumas radiações ionizantes, capaz
de alterar os tecidos.
Portanto, o que determina o modo de atuação
física da luz no organismo é a quantidade
de energia gerada por sua fonte, a qual determinará
a cor produzida, que nada mais é do que um
indicador externo, fácil de ver, do tipo e
da quantidade de energia que estamos usando.
Desta forma, apesar das aparências contrarias
(por causa da sensação de calor e frio), as
luzes na faixa do azul violeta contêm mais
energia do que as da faixa do vermelho- amarelo,
justamente porque não dispersam quase nada
de calor. As luzes da faixa do vermelho são
menos penetrantes que as da faixa do violeta.
O verde que se encontra no centro do espectro
se equilibra entre os dois extremos.
VERMELHO
– A luz vermelha é a de maior comprimento
de onda (7600 Å), é a que penetra menos nos
tecidos produz mais calor. Desta forma há
a estimulação da circulação, vasodilatação
e aumento da freqüência cardíaca, o que resulta
em maior aporte sangüíneo, maior aporte de
nutrientes de células de defesa, acelerando
o combate às infecções e a recuperação dos
tecidos lesados. Acelera também remoção de
detritos, toxinas e células mortas. Estimula,
ainda as terminações nervosas e aumenta a
sensibilidade.

FIG.03 - APLICAÇÃO DE LUZ VERMELHA PARA TRATAMENTO
DE PROCESSO INFLAMATÓRIO EM URETRA E VESÍCULA
URINÁRIA.
A luz vermelha é indicada
na insuficiência cardíaca e aporte insuficiente
de sangue, feridas não supuradas, inflamações,
tosse crônica, asma, laringites, anemias,
paralisias e doenças musculares atróficas.
Contra indicações – febre, hipertensão e neurite.
LARANJA – Não se distingue nitidamente
das cores que a formam (vermelho e amarelo),
sendo a diferença entre elas apenas de intensidade.
Sua função básica é auxiliar o órgão ou célula
a selecionar o que lhe é benéfico e eliminar
o que lhe é inútil ou nocivo. È propicia para
a digestão e metabolismo alimentar, função
renal, cálculos renais e biliares.
È indicada para todos os tipos de esclerose,
anemia, asma, bronquite, como antiespamódico,
aumenta a pulsação sem aumentar a pressão,
aumenta o apetite, estimula a digestão, aumenta
fertilidade e fecundidade.
Contra indicações – febre, hipertensão e neurite.
AMARELO – Tem a metade da força
estimulante do vermelho e metade da capacidade
reparadora do verde. É quente, mas não tanto
quanto o vermelho. È vasodilatadora e estimula
a atividade celular, facilitando a regeneração
de tecidos desvitalizados. È utilizada para
promover a cura e a cicatrização de lesões
diversas especialmente em órgão e tecidos
sensíveis, onde o vermelho poderia ser prejudicial.
É indicada nas deficiências do estomago, fígado,
pâncreas e vesícula biliar, ativa a digestão,
fortifica o sistema endócrino e agudiza processos
crônicos.
Contra indicações – febre, hipertensão, inflamação
aguda e diarréia.
VERDE
– Ocupa exatamente o centro do espectro eqüidistante
dos dois pólos, vermelho e violeta. Todas
as suas características físicas o colocam
como a cor mais semelhante ao branco. É usado
em ferimentos, inflamações e processos degenerativos.
Impulsiona a atividade celular favorecendo
a cicatrização, sem excitar como o vermelho.
Acelera o processo de cura estimulando a proliferação
celular e substituição dos tecidos degenerados.
Por ter comprimento de onda intermediário
(5200 Å), penetra mais nos tecidos que o vermelho
e reduz a reação inflamatória nos órgãos.

FIG.04 - APLICAÇÃO DE LUZ VERDE EM UM FELINO
COM QUADRO DE CISTITE COM INTUITO DE ESTIMULAR
ATIVIDADE CELULAR, FAVORECENDO A CICATRIZAÇÃO
E ELIMINAÇÃO DOS TECIDOS DEGENERADOS.
A luz verde é indicada nas
tosses, tumores, inflamações articulares,
cistos, dilatações brônquicas e doenças oculares.
Contra indicações – hipertensão, paralisia,
contrações musculares e reumatismo.
AZUL – Luz fria, com efeito
relaxante e analgésico. Aumenta o metabolismo,
tem efeito descongestionante e promove o crescimento.
Tem propriedade anti-séptica e promove a contração
de artérias e veias.
Indicada nas supurações, febre, congestão,
dor, hipertensão, taquicardia, hemorragia,
lesões de ligamentos e regula a contração
muscular.
Contra indicações – hipotensão, paralisia
e contrações musculares.
ÍNDIGO – É uma luz elétrica,
fria e adstringente, controla todos os sentidos,
induz a produção de fagócitos, é depressor
respiratório, tônico muscular e anestésico.
É indicada nas alterações dos órgãos do sentido,
nas alterações neurológicas com convulsões,
hemorragias e patologias de garganta.
Contra indicações – hipotensão, paralisia
e contrações musculares.
VIOLETA – Ocupa o extremo frio
do espectro de cores, é a luz visível de menor
comprimento de onda (4000 Å) e, portanto,
a mais penetrante, podendo atingir estruturas
orgânicas em maior profundidade que as outras
cores. Estimula a circulação periférica e
o sistema imunológico, tem efeito bactericida
e elimina toxinas e detritos resultantes da
infecção.
É indicada no controle de infecções, na cicatrização
de feridas e no alívio da dor. Estimula o
sistema linfático, a produção óssea e a regeneração
dos tecidos.
Contra indicações – hipotensão, paralisia
e contrações musculares.
CROMOPUNTURA
A cromopuntura
consiste na aplicação de luz colorida em pontos
de acupuntura para o tratamento de doenças
ou alterações fisiológicas. Para isso utilizamos
um aparelho elétrico, denominado bastão cromático,
composto por uma fonte de luz branca uma fenda
onde é colocado o filtro de luz desejado,
e um cristal de quartzo branco por onde a
luz é projetada.

FIG.05 - BASTÃO CROMÁTICO: APARELHO UTILIZADO
PARA SELEÇÃO E APLICAÇÃO DE LUZ COLORIDA.
Quando usamos a cromopuntura,
alem da estimulação dos pontos de acupuntura
estamos utilizando também os efeitos da cromoterapia
nos tecidos onde o foco de luz incide, o que
permite uma potencialização dos dois tipos
de terapias. Com esse recurso temos obtido
muito sucesso na desobstrução uretral de gatos
com DTUIF idiopática, nos processos de coluna,
nas faringites e traqueites, nas doenças articulares,
ou seja, em todos os casos de doenças inflamatórias,
agudas ou crônicas.
As aplicações podem ser feitas em pontos de
acupuntura específicos para as varias patologias,
e diretamente sobre os tecidos e órgãos afetados.
A escolha da cor se faz de acordo com as características
de cada uma delas e da doença a ser tratada
e o tempo de exposição à luz vai de 30 segundos
a 4 minutos de acordo com a intensidade dos
sintomas.
REFERENCES
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das cores, Cultrix, São Paulo.
Draehmpaehl, D.; Zohmann, A. (1997) – Acupuntura
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Mandel, P. (1986) – The practical compendium
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Rezende, J. R. V. (2001) – Cromopuntura e
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