Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais

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Opinião


A OBESIDADE MÓRBIDA DO BRASIL
Países em desenvolvimento como o Brasil sofrem com a falsa Imagem de que o Estado pode e deve prover todas as necessidades da população. As duas maiores Universidades do país comprovam o quanto é importante a gestão independente e livre das intervenções estatais.

Por Daniel Ferro
Editor do Boletim Informativo da ANCLIVEPA-SP

Boletim Informativo - Nº55 - 2007

   O ano de 2007 chega ao fim, como sempre, mais rápido do que se esperava. E chega ao fim também a CPMF! Ao menos, por enquanto. Mas só para não ficar na mesmice do ‘ano novo, vida nova’ e ‘que os sonhos se realizem’, que tal aprender com o que tem acontecido e tentar mudar o que poderá acontecer?

   Dois mil e sete foi o ano da CPMF. ‘Nunca na história deste país’ se falou tanto de uma sigla. Imagine se toda contribuição que resolvêssemos fazer, todas as doações a instituições, se todas elas se tornassem ‘imposto’! Em 2007, o que era velado foi escancarado. O que nasceu ‘contribuição’ tornou-se ‘imposição federal’ e a população só se deu conta disso quando foi solfejada a sua continuidade ad eternum. Mas não vingou!

   Soa muito falso o discurso de que a continuidade da contribuição era uma necessidade do Brasil quando, na verdade, a necessidade é do Governo. O dinheiro que circula neste tipo de confisco já é do Brasil. Pertence a cada um dos cidadãos porque está em suas contas bancárias e, portanto, o Brasil não precisa dele.

   Foi a obesidade mórbida do Estado brasileiro quem criou a necessidade de confiscos tão bravamente defendida pelas ‘nossas excelências’ (e só eles acham que são ‘vossas’). Mas quem criou toda essa gordura foram os governos. Este e os anteriores. São incontáveis cargos de confiança, são as negociatas políticas, são os altos salários, são os gastos intermináveis com o que há de mais supérfluo e é, enfim, o descontrole da máquina pública.

   Este ano foi também o ano das ‘bolsas’. O Brasil, que por herança sempre foi Estado-assistencialista, passou a fazer doações. O programa Bolsa Família e todas as suas mais diversas variações escabrosas vieram para aumentar o problema. São as indesejáveis calorias sobressalentes de um Estado já gordo e
edemaciado com gastos. E pior, é o alimento que não nutre por mais que algumas horas. Logo em seguida, há que se comer mais e mais porque a verdadeira fome não pode cessar assim. As bolsas do assistencialismo federal acarretam o sério perigo da acomodação social e da banalização do verdadeiro papel da administração pública.

   O Brasil não precisa de mais arrecadações. Mas não há dúvidas de que o governo não sobreviveria sem os 37% de impostos cobrados de cada um de nós. São coisas distintas. O que dói é não ver as engrenagens públicas funcionando a pleno vapor. É achincalhante ter que pagar plano de saúde, seguro de carro, escola particular e fazer duas previdências privadas deixando ainda quase metade do que se ganha para as ‘bolsas públicas’.

   Países já desenvolvidos trocaram o assistencialismo populista da América Latina pela devolução dos altos impostos cobrados de seus cidadãos (países escandinavos, por exemplo, chegam a pagar 47% em
impostos) na forma de escolas públicas de excelência, bom atendimento médico e qualidade de vida. Eles aprenderam a não mais carregar no colo, mas dar as mãos, trabalhar muito e com objetivos traçados. O Brasil ainda caminha nas sombras da pós-ditadura.

   E não é interessante que as três maiores universidades do país tenham gestões plenamente independentes da influência do Estado desde 1989? Passando a gerir sozinhas o fundo recebido de parte da arrecadação do ICMS, USP, UNESP e UNICAMP tiveram autonomia suficiente para estabelecer prioridades, traçar metas e qualificar seu corpo docente.

   Os resultados, não de hoje, começam a surgir. Este ano, coincidência ou não, USP e UNICAMP entraram para o grupo das 200 melhores universidades do mundo, ao lado de outras renomadas como a de Dublin. Na ponta da fila estão Harvard e Yale, entidades que acumulam séculos desde suas fundações.
Em uma vertiginosa evolução, as nossas duas universidades estão se igualando às outras com menos de 100 anos de vida! Não há como não estabelecer um paralelo. A gestão saudável de recursos gera eficiência. E faz emagrecer!

Daniel G. Ferro
Editor do Boletim Informativo Anclivepa-SP
 
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