O
ano de 2007 chega ao fim, como sempre, mais rápido
do que se esperava. E chega ao fim também
a CPMF! Ao menos, por enquanto. Mas só
para não ficar na mesmice do ‘ano
novo, vida nova’ e ‘que os sonhos
se realizem’, que tal aprender com o que
tem acontecido e tentar mudar o que poderá
acontecer?
Dois mil e sete foi o ano da CPMF.
‘Nunca na história deste país’
se falou tanto de uma sigla. Imagine se toda contribuição
que resolvêssemos fazer, todas as doações
a instituições, se todas elas se
tornassem ‘imposto’! Em 2007, o que
era velado foi escancarado. O que nasceu ‘contribuição’
tornou-se ‘imposição federal’
e a população só se deu conta
disso quando foi solfejada a sua continuidade
ad eternum. Mas não vingou!
Soa muito falso o discurso de
que a continuidade da contribuição
era uma necessidade do Brasil quando, na verdade,
a necessidade é do Governo. O dinheiro
que circula neste tipo de confisco já é
do Brasil. Pertence a cada um dos cidadãos
porque está em suas contas bancárias
e, portanto, o Brasil não precisa dele.
Foi a obesidade mórbida
do Estado brasileiro quem criou a necessidade
de confiscos tão bravamente defendida pelas
‘nossas excelências’ (e só
eles acham que são ‘vossas’).
Mas quem criou toda essa gordura foram os governos.
Este e os anteriores. São incontáveis
cargos de confiança, são as negociatas
políticas, são os altos salários,
são os gastos intermináveis com
o que há de mais supérfluo e é,
enfim, o descontrole da máquina pública.
Este ano foi também o
ano das ‘bolsas’. O Brasil, que por
herança sempre foi Estado-assistencialista,
passou a fazer doações. O programa
Bolsa Família e todas as suas mais diversas
variações escabrosas vieram para
aumentar o problema. São as indesejáveis
calorias sobressalentes de um Estado já
gordo e
edemaciado com gastos. E pior, é o alimento
que não nutre por mais que algumas horas.
Logo em seguida, há que se comer mais e
mais porque a verdadeira fome não pode
cessar assim. As bolsas do assistencialismo federal
acarretam o sério perigo da acomodação
social e da banalização do verdadeiro
papel da administração pública.
O Brasil não precisa
de mais arrecadações. Mas não
há dúvidas de que o governo não
sobreviveria sem os 37% de impostos cobrados de
cada um de nós. São coisas distintas.
O que dói é não ver as engrenagens
públicas funcionando a pleno vapor. É
achincalhante ter que pagar plano de saúde,
seguro de carro, escola particular e fazer duas
previdências privadas deixando ainda quase
metade do que se ganha para as ‘bolsas públicas’.
Países já desenvolvidos
trocaram o assistencialismo populista da América
Latina pela devolução dos altos
impostos cobrados de seus cidadãos (países
escandinavos, por exemplo, chegam a pagar 47%
em
impostos) na forma de escolas públicas
de excelência, bom atendimento médico
e qualidade de vida. Eles aprenderam a não
mais carregar no colo, mas dar as mãos,
trabalhar muito e com objetivos traçados. O
Brasil ainda caminha nas sombras da pós-ditadura.
E não é interessante
que as três maiores universidades do país
tenham gestões plenamente independentes
da influência do Estado desde 1989? Passando
a gerir sozinhas o fundo recebido de parte da
arrecadação do ICMS, USP, UNESP
e UNICAMP tiveram autonomia suficiente para estabelecer
prioridades, traçar metas e qualificar
seu corpo docente.
Os
resultados, não de hoje, começam
a surgir. Este ano, coincidência ou não,
USP e UNICAMP entraram para o grupo das 200 melhores
universidades do mundo, ao lado de outras renomadas
como a de Dublin. Na ponta da fila estão
Harvard e Yale, entidades que acumulam séculos
desde suas fundações.
Em uma vertiginosa evolução, as
nossas duas universidades estão se igualando
às outras com menos de 100 anos de vida!
Não há como não estabelecer
um paralelo. A gestão saudável de
recursos gera eficiência. E faz emagrecer!