Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais

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Opinião


VOCÊ É O MESMO DE 10 ANOS ATRÁS?

Por Marco A. Gioso
Presidente da Anclivepa-SP


Boletim Informativo - Nº56 - 2008

   Claro que não, a grande maioria responderá! Fiquei mais velho, tenho filhos, fiquei mais rico ou nem tanto. Não é a isto que me refiro, mas a reflexões mais profundas do comportamento humano.

   A velha questão vem à tona: “pau que nasce torto, morre torto?”. Este dito popular dá margem a dezenas de teses em todo o mundo. Há teorias favoráveis e contrárias. Os a favor crêem que uma vez adquiridos os traços de personalidade até os 7 anos de idade, não há mais como desvinculálos da mente humana. Vale ressaltar que nesta primeira década da vida, a família é a maior detentora do poder de formatar a personalidade da prole. A escola vem em segundo lugar. Aos favoráveis, a genética é influenciada pelo meio ambiente nestes primeiros anos de vida e a personalidade raramente pode ser alterada.

  Os contrários, que crêem que o dito é falível, mesmo assim ainda discutem se é a personalidade ou apenas o comportamento que pode ser modificado. Uma pessoa de personalidade agressiva, que se comporta atacando os outros, nunca deixará de ser agressiva. No momento do desencadeamento de raiva, ela agride! Todavia os pesquisadores do comportamento humano crêem que a atitude de agredir ou de se conter pode ser mudada. Há o auto-controle, a auto-censura. Enfim, o comportamento pode ser mudado, mas ele continuará sentindo a vontade de agredir com as mãos (é a personalidade agindo), mas ele pode aprender a se conter (comportamento alterado). Entretanto, a mudança de comportamento
é rara e de difícil aquisição, por um simples fator: a pessoa não sabe que há técnicas para isto.

   Aprende-se na escola disciplinas como Biologia, Matemática, História, Química, Línguas e até Religião. Mas onde se aprende sobre comportamento humano? Veterinários conhecem mais sobre comportamento animalque de si próprios. Assim, ensinam seus clientes a modificar comportamentos do cão ou gato, a defecar em local apropriado, do ponto de vista humano, por exemplo.

   Pergunto: saberia o ser humano alterar comportamentos de forma natural? Sim, muitos deles são aprendidos em sociedade. Ninguém sai nu pelas ruas ou arrota na frente dos outros, pois estes são comportamentos ensinados naturalmente entre os pares. Porém, comportamentos e atitudes mais sensíveis, profundos, que interferem substancialmente no relacionamento a dois ou em grupo, em geral, não são sempre aprendidos de forma natural.

   Pessoas não estudam percepção comportamental em salas de aula do ensino fundamental, médio ou na faculdade. A maioria crê que a vida, os pais, os colegas, a família e os amigos ensinam normalmente a nos comportar. Que falácia! Se assim fosse, grandes “brigas” domésticas e empresariais seriam bem menos freqüentes. Há brigas que não se compram, frases que não devem ser ditas no curso de uma discussão acalorada, atitudes que devem ser evitadas a todo custo, gestos incabíveis. Você aprendeu isto na escola ou nos livros? O que isto tudo tem a ver com sua clínica você saberá no próximo artigo. Por hora, faça você mesmo certas analogias. Algum psicoterapeuta, filósofo, psicólogo, psiquiatra ou escritor já lhe disse, por exemplo, que você nunca deve “brincar” sobre algum ato esquisito ou pitoresco de um funcionário na presença dos outros? Aquela brincadeirinha que o chefe sempre faz em relação a um funcionário pode, a cada feita, contaminar a relação entre chefe e seu funcionário, sem que o chefe venha a saber, até que um dia ele revela, normalmente, quando pede a conta ou é despedido. O chefe fica surpreso com a revelação, pois a brincadeira não tinha intenção de escárnio. Empregadores não estudaram que muitos dos funcionários recebem uma simples frase com muito impacto e raramente podem revelar seu descontentamento com o chefe ou outro funcionário. Isto é comportamento, ou melhor, aprendizado comportamental que pode ser estudado, refletido e aplicado no dia-a-dia da sua empresa! São pequenas dicas que, paulatinamente, farão do empreendedor um grande líder, e mais que isto, fazer aumentar seus lucros.

   Neste artigo foram citados poucos exemplos de comportamento empresarial. Imagine a gama de situações que existem, o tanto de aprendizado que você poderia adquirir doravante! A razão para estudar sobre comportamento é simples: melhorar seu faturamento! Saiba mais no próximo artigo! Por hora, reflita se você é o mesmo de há 10 anos na profundidade que mencionamos hoje. Reflita se você fez uma efetiva análise de seu comportamento para melhorar parte dele. Pense o que de fato as pessoas acham de sua pessoa quando você não está por perto. Saber disto pode mudar sua vida!

Marco A. Gioso
Presidente da Anclivepa-SP

 
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