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| Opinião |

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OSCAR
NIEMEYER E OS FUNGOS
DO
SOCIALISMO CUBANO
Por
Daniel Ferro
Editor do Boletim Informativo da ANCLIVEPA-SP
Boletim Informativo - Nº56 - 2008
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HIFA1
[s.f.] - unidade estrutural vegetativa da
maioria dos fungos, que possui aparência
filamentosa, podendo ser ou não dividida
por septos transversais.
FUNGO1 [s.m.] - designação
comum aos organismos do reino Fungi, heterotróficos,
saprófagos ou parasitas [...]. Os exemplos
mais conhecidos são os mofos e cogumelos. |
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Um
dos últimos grandes mitos da política
mundial parece estar saindo de cena. Ao menos daquelas
cenas liberadas ao espetáculo. Nos bastidores,
ninguém saberá. Fidel Castro Ruz,
81, ex-comandante- em-chefe e ex-presidente do Conselho
de Estado de Cuba, renunciou através de carta
no último dia 18 de fevereiro.
Não há como contestar
que, desde que assumiu o poder em 1959 após
a revolução que derrubou o então
governo de Fulgêncio Batista, ele fez história.
Bem ou mal, assim foi. Ao lado de Che Guevara, ‘El
Comandante’ fez nascer o sonho do socialismo
que revolucionaria a América Latina. Um ideal
romântico de dois jovens com impetuosidade
suficiente para não perceber que não
conseguiriam ficar imunes às influências
de todo o resto do mundo. Quem pagou o pato? Claro,
o povo cubano.
Trótski (1879-1940), o
antiestalinista russo banido da ilha durante o domínio
soviético sobre Cuba, previu que o socialismo
seria impossível em um só país.
Deveria ser internacionalizado ou então,
morreria. O que dirá em uma só ilha!
Quem acha que somente os Estados Unidos
têm culpa no cartório, engana-se. Em
um arroubo de ‘independência’
Fidel expulsou diplomatas soviéticos da ilha,
logo após a morte de Che Guevara e prendeu
líderes comunistas cubanos. E colocou o país
em um redemoinho sem fim de embargos internacionais.
Era a ruína da precária economia caribenha.
O país conseguiu algumas coisas
boas, é verdade. Na saúde, na educação
e até na economia. Mas a estabilidade macroeconômica
foi, claramente, sustentada nos últimos anos
por cinco fatores: amplo subsídio em petróleo
e outros bens fornecidos pelo presidente da Venezuela,
Hugo Chávez; remessas de cubanos que vivem
no exterior; renda proveniente do turismo; crédito
chinês; e bons preços para o principal
produto de exportação cubano, o níquel.
Ou seja, Chávez vende
petróleo aos capitalistas para subsidiar
o fornecimento de Cuba; cubanos expatriados enviam
dinheiro que ganham trabalhando em países
capitalistas; os turistas trazem dinheiro de países
capitalistas; a China cresce vertiginosamente,
comercializando com capitalistas e subsidiando
Cuba; e o níquel...bom, quanto a este nem
se precisa falar. O mundo todo compra.
Ironicamente, é a prova cabal
de que o socialismo degradado (e já mofado)
que ainda permeia os sonhos da velha guarda de
Cuba só é mantido à custa
do bom e [por enquanto] insubstituível
capitalismo internacional.
O que o Brasil [e claro, nossa veterinária]
têm com isso? Bom, nosso presidente pode
ser o que você quiser. Mas bobo, sabemos
que não é! A esperança é
que suas relações, tão ferrenhamente
mantidas com essas antiquadas figuras latinas
– Chaves, Morales e Fidel – seja mais
uma de suas artimanhas populistas e ainda embasadas
em palpites do seu staff de marketeiros. Para
nós, é melhor que seja só
isso.
Se esta participação
brasileira não é suficiente, nosso
presidente poderia dizer que ‘nunca antes
na história deste país’ um
brasileiro foi tão citado por um ditador.
Oscar Niemeyer esteve, mais uma vez, em uma das
cartas de Fidel. Desta vez, na de renúncia.
Foi lá que ele disse que “pensa,
como Niemeyer, que é preciso ser conseqüente
até o fim”. Seja lá o que
pretenda sendo ‘conseqüente até
o fim’, o fato é que o Brasil é
fonte inspiradora até mesmo para o [pseudo]
epílogo de um mito da esquerda latinoamericana.
Honrosa menção!
Raul Castro, irmão do comandante,
é o novo todo-poderoso. Fidel, curiosamente,
manterá o posto de primeiro-secretário
do Partido Comunista Cubano (PCC), o cargo mais
influente do país segundo a própria
constituição cubana, até
porque, não há na ilha caribenha
nenhum outro partido ou grupo político.
Bem ao encontro do que ele mesmo anseia em sua
carta de renúncia, ou seja, ‘ser
fonte de experiência e de idéias’.
É bem provável que
a eficiente medicina cubana – referência
mundial, é bom que se diga – tenha
participação decisiva na manutenção
da saúde (precária) do líder
cubano nestes últimos 18 meses. Mérito
castrista. O problema de um regime que se encerra
em si mesmo, porém, é o engessamento,
a estagnação e a utopia doentia
da auto-suficiência. E claro, em tudo que
está imóvel e velho, criam-se hifas.
E os Estados Unidos nisso tudo? Bom,
quanto ao quase ex-presidente americano George
W. Bush, em mais uma demonstração
de seu [pífio] conhecimento da história
e da política internacional, disse que
‘a saída de Fidel é o começo
da democracia’. Não percamos tempo
com o Bush.
Hasta luego, Fidel!
-
Daniel
G. Ferro
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Editor
do Boletim Informativo Anclivepa-SP
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