Com
a chegada das estações frias, as
aves sofrem mais com doenças respiratórias.
A gripe aviária é uma delas. Esta
influenza tem merecido destaque ultimamente em
decorrência dos casos em humanos que provocaram
muitas mortes. Conheça as normas de controle
no Brasil e no mundo, qual é o verdadeiro
comportamento do vírus causador da gripe
aviária e quais os riscos de contaminação
na América do Sul.
INTRODUÇÃO
Com a chegada do outono e a
aproximação do inverno, há
significante aumento de distúrbios respiratórios
nas aves de estimação e de criação,
geralmente associados à diminuições
abruptas de temperatura ambiental e da umidade
relativa do ar.
Diversas afecções respiratórias
como sinusites, rinites e pneumonias costumam
ocorrer e estão associadas à variadas
etiologias, como infecções bacterianas,
fúngicas e virais, infecções
mistas e presença de corpos estranhos.
Alguns fatores predisponentes estão geralmente
associados, como deficiência de vitamina
A na dieta que acarreta metaplasia escamosa das
células epiteliais, tornando as mucosas
mais frágeis, em especial, a respiratória.
Parasitoses intestinais e manejo ambiental incorreto
com exposição das aves a ventos
e alterações bruscas de temperatura
podem também contribuir para uma maior
incidência de afecções respiratórias
em aves.
Com a aproximação do
inverno, geralmente há maior número
de aves de estimação com distúrbios
respiratórios e o clínico de pequenos
animais e de animais silvestres é freqüentemente
indagado quanto a esclarecimentos sobre uma preocupante
doença contagiosa - a gripe aviária.
A GRIPE AVIÁRIA
A
influenza aviária ou gripe aviária
é resultante de uma infecção
nas aves causada por um influenzavirus tipo A
(Família Orthomyxoviridae), cujas cepas
podem variar desde baixa até alta patogenicidade,
de acordo com as manifestações clínicas
que provocam. A distribuição do
vírus é mundial, atingindo amplo
espectro de aves como galiformes (galinha, peru,
pavão, faisão, etc), anseriformes
(patos, gansos, cisnes, etc) e passeriformes,
tendo sido também descrita em diversas
espécies de psitaciformes (cacatua, papagaio
cinza africano, periquito australiano).
Os subtipos de baixa patogenicidade
provocam manifestações respiratórias
leves a moderadas como espirros, tosse, apatia
e secreção nasal, com eventual evolução
para pneumonia, além de diminuição
na produção de ovos. A doença
resulta em baixa ou média mortalidade,
havendo, geralmente, remissão da doença
após rápida instituição
de tratamento.
Os subtipos H5 e H7 do vírus
de influenza aviária são considerados
de alta patogenicidade, podendo causar doenças
com manifestações graves como alterações
neurológicas (ataxia locomotora), circulatórias
(edema de barbela, crista, articulações
e patas) e hemodinâmicas (hemorragias musculares).
Resulta em alta mortalidade que chegam a índices
de 50 a 80 % das aves de uma região. Estas
cepas do vírus da influenza encontram-se
circulantes, de forma epidêmica entre as
aves da Ásia e Europa, provocando a morte
de milhares delas. Tanto as cepas de influenza
aviária de baixa patogenicidade quanto
as de alta patogenicidade apresentam caráter
zoonótico, sendo as últimas extremamente
perigosas para o seres humanos.
TEMPO DE INCUBAÇÃO NS AVES
O tempo de incubação
nas aves dos subtipos H5 e H7 pode variar de 1
a 14 dias, com média de 3 dias, podendo
haver óbito das aves durante este período.
TRANSMISSÃO
A transmissão ocorre por meio
de secreções de aves infectadas
(contágio por inalação do
vírus) ou por contaminação
da água, alimento e solo pelas fezes de
aves contaminadas. Equipamentos como botas, rodas
de tratores e caminhões podem servir como
vetores mecânicos, disseminando o vírus
entre fazendas ou viveiros. Roedores, da mesma
maneira, podem disseminar o vírus. As aves
migratórias, principalmente aves aquáticas,
disseminam o vírus entre as aves domésticas
através das fezes, ao compartilhar o mesmo
local ou abrigo. Os patos selvagens são
reservatórios naturais e, em suas rotas
migratórias, disseminam o vírus
por meio das fezes, apresentando, eventualmente,
manifestações leves da doença.
Outra forma de disseminação
da doença é através de ovos
contaminados em incubatórios, uma vez que
o vírus permanece viável por 3 a
4 dias após a postura do ovo. A importação
de aves, produtos e de material genético
constitui outra forma de introdução
da doença em diversos países.
Após a infecção,
as aves podem eliminar o vírus nas fezes
por cerca de 10 dias. Aves silvestres podem eliminar
por cerca de 30 dias. As aves sobreviventes tornam-se
imunes contra a doença e não permanecem
portadoras por longo prazo.
DISSEMINAÇÃO ENTRE PAÍSES
Entre países, a gripe
pode se propagar de diversas formas, por meio
de:
- comércio de aves domésticas vivas
ou de seus produtos contaminados;
- aves migratórias, principalmente patos
selvagens, que são reservatórios
naturais do vírus da influenza, sendo resistentes
à infecção;
- comércio ilegal de aves exóticas.
CARÁTER ZOONÓTICO
O ser humano pode se contaminar
com o vírus por meio da exposição
às aves afetadas ou manipulação
de aves mortas. Não há evidências
de transmissão por ingestão de ovos
ou consumo de carne congelada ou cozida de aves.
Infecções humanas por
vírus da influenza, mesmo os de baixa patogenicidade,
são preocupantes, uma vez que estes vírus
podem produzir mutações em curto
prazo (6 a 9 meses), para uma cepa de alta patogenicidade
(no caso de haver circulação em
populações de aves domésticas).
Os casos de doença causada
pelo subtipo H5N1 (alta patogenicidade) são
considerados perigosos para o ser humano, principalmente
para os funcionários de granjas e abatedouros
de aves.
Anteriormente, os vírus de influenza
aviária infectavam suínos, e estes
infectavam o homem. Provavelmente devido ao contato
freqüente entre seres humanos e diversas
espécies de aves, principalmente em criações
comerciais, houve alteração no comportamento
do vírus, surgindo, assim, a transmissão
direta da ave para o homem. Até o presente
momento, não há evidência
de transmissão do vírus da influenza
aviária de um ser humano para outro. Se
este fato ocorrer, aumentam os riscos de uma pandemia.
Em 1997, foi detectada, pela primeira
vez, a transmissão direta do vírus
A H5N1 da ave para o homem, afetando 18 pessoas
e provocando seis óbitos. A partir de 2003,
diversos países asiáticos
realizaram notificação de surtos
da influenza aviária de alta patogenicidade
em galinhas, patos, aves selvagens e suínos.
Até o presente momento, foram notificados
à Organização Mundial da
Saúde (OMS) 379 casos de influenza A subtipo
H5N1, com 239 óbitos, o que representa
uma taxa de letalidade de 63%.
No Brasil, a gripe aviária
de alta patogenicidade é considerada exótica,
não havendo evidências da circulação
do vírus A H5 e H7 nas granjas comerciais.
PREVENÇÃO
A prevenção da
disseminação do vírus entre
países é realizada a partir de algumas
ações:
- redução da possibilidade de exposição
humana ao subtipo H5N1, por meio de detecção
rápida de surtos
em aves domésticas e introdução
de medidas emergenciais de controle (recomendação
da OMS), como destruição de todas
as aves afetadas ou expostas e descarte adequado
das carcaças;
- vacinação dos profissionais ligados
ao setor de avicultura com vacinas disponíveis
contra a influenza humana, nos países onde
ocorrem surtos de influenza aviária, na
tentativa de diminuir a circulação
de cepas humanas e animais.
No Brasil, as medidas adotadas
para evitar a entrada da doença, segundo
orientações do Ministério
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
(MAPA) são:
- restrição do ingresso de material
genético avícola nos aeroportos
e nos postos de fronteira com os países
do Mercosul;
- implantação de detectores de matéria
orgânica para controle de bagagens e de
passageiros;
- credenciamento de laboratórios para diagnósticos
sorológicos;
- implementação do cadastro nacional
de granjas avícolas;
- elaboração de normas técnicas
para registro de aves de corte e postura;
- finalização do plano de contingência
para a gripe do frango no Brasil.
Apesar do Brasil ser exportador
de aves (e não importador) e das aves migratórias
aqui presentes circularem apenas nas Américas
(e não entre a Ásia e Europa, onde
se encontram os países afetados pelo vírus
subtipo H5N1), as medidas de controle e prevenção
estabelecidas pelo MAPA devem ser rigorosamente
cumpridas, evitando-se riscos de entrada do vírus
no Brasil.
A OMS e a Rede de Vigilância
Global da Influenza encontram-se trabalhando para
o desenvolvimento de uma vacina contra a cepa
A H5N1 para posterior produção,
em larga escala, de vacina para seres humanos.
As medidas de prevenção ou diminuição
de risco de transmissão para seres humanos
recomendadas pela OMS são:
- utilização de equipamento adequado
de proteção para os funcionários
de abatedouros e transportadoras de aves, como
roupas impermeáveis, luvas de borracha,
máscara N95, óculos de proteção
e botas de borracha;
- lavagem freqüente das mãos com água
e sabão;
- limpeza do ambiente na área de abate,
com utilização do equipamento de
proteção pessoal;
- monitoramento de todas as pessoas expostas a
aves infectadas e suspeitas de contaminação,
pelas autoridades sanitárias locais;
- utilização de antigripais para
tratamento de suspeitas de infecções
respiratórias causadas pelo vírus
A H5N1, após avaliação médica;
- utilização da vacina contra influenza
humana nas pessoas mais expostas;
- monitoramento dos funcionários de abatedouros
e granjas e de suas famílias;
- afastamento do trabalho para pessoas com alto
risco de complicações por influenza
em granjas e abatedouros (imunossuprimidos, pessoas
acima de 60 anos, pessoas com alterações
cardíacas ou doenças pulmonares).
PANDEMIA
Caso o subtipo H5N1 do vírus
da influenza aviária (cepa circulante em
pelo menos 13 países da Europa e Ásia)
sofra uma mutação e adquira a capacidade
de ser transmitido diretamente entre seres humanos,
há o risco de uma pandemia mundial, sendo
que todos os países podem ser atingidos
em maior ou menor grau. Esta possibilidade existe,
mas não se sabe quando e se irá
ocorrer.
Sites
recomendados para leitura
Maiores informações
sobre o plano de contingência no Brasil
podem ser encontradas no website do Ministério
da Saúde: www.saude.gov.br.
Outros websites de interesse são:
Ministério da Agricultura, Pecuária
e Abastecimento: www.agricultura.gov.br;
Agência Nacional de Vigilância Sanitária:
www.anvisa.gov.br;
Organização Mundial da Saúde:
www.who.int