Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais

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Opinião


MUDAR MEU COMPORTAMENTO MUDA MEU RENDIMENTOS?

Por Marco A. Gioso
Presidente da Anclivepa-SP


Revista da ANCLIVEPA-SP- Nº 57 - 2008

Será que todos os grandes empreendedores e os grandes empresários nasceram com um dom? Será que o resto da população mundial não teria chance de aprender e chegar lá? Pois saiba que somente 5% das pessoas nascem com esse talento. Todo o resto tem que aprender a mudar seu comportamento, estudar e batalhar muito!

   Nós, veterinários e empresários do setor pet, aprendemos o máximo (nem todos, infelizmente!) sobre assuntos relativos aos animais. Porém deixamos de lado os assuntos pertinentes à administração, finanças, legislação, gestão, enfim, tudo que se refere a empreendedorismo. Ter clínica exige ter competência como profissional médico veterinário, isto é, saber diagnosticar e tratar. Mas, embora esta tarefa seja árdua e permanente, ela não é suficiente para a maioria.

   Como, então, alguns colegas conseguem ter sucesso financeiro com suas clínicas sem ter aprendido sobre empreendedorismo? Por muitas razões e, entre elas, uma muito importante: ele tinha talento para empreender. Alguns o têm para o esporte, canto, sacerdócio, ciência, oratória. Estudos mostram que em torno de 5% de seres humanos têm este talento nato para o empreendedorismo. Em geral, empreendem bem a maioria dos negócios em que põe seu talento para funcionar. Isto não quer dizer que não enfrentem problemas de relacionamento e que não possam melhorar seu comportamento. Nunca se esqueça, porém, que algumas pessoas que parecem ter nascido com o dom do empreendedorismo, na verdade podem estar entre os outros 95%! Eles aprenderam! E obtiveram sucesso! Isto dá muito alento a nós, pobres mortais que não somos empreendedores de primeira. Pois podemos aprender!

    Mas como aprender sobre este tema? Cursos, palestras, leituras. Seja sincero: quantos livros você leu sobre empreendedorismo, liderança, contabilidade e finanças ou sobre como lidar com funcionários? Quantas palestras você assistiu nos últimos anos sobre isto? Aos que responderam “poucos” aconselho a entrar neste fascinante mundo do aprendizado do tema urgentemente. Em alguns anos você verá seus rendimentos aumentarem, desde que aja de fato!

   Aos que já leram muito ou assistiram a alguns cursos e ainda não conseguiram chegar lá, peço uma reflexão séria, profunda e honesta sobre o que direi: se você não conseguiu sucesso, continua estagnado, a razão é simples - você não absorveu de fato os conhecimentos, não os enraizou na alma, não criou a cultura do empreendedorismo em si. Os conhecimentos lidos estão superficiais no seu cérebro. A maior parte, aliás, foi esquecida, principalmente porque não se tornaram prioridade na sua vida. O que não se usa de fato, se esquece. Você leu e não praticou. Talvez por não acreditar ou concordar com o que leu. Se você não leu muito sobre o assunto, esta é a dica que proponho: comece já! Não adianta ler meia dúzia de livros e assistir alguns palestrantes famosos.

  Conheço quem leu, assistiu e criticou negativamente, pejorativamente: “ele fala isto porque está ganhando 20 mil para dar a palestra”. É o verdadeiro espírito armado de Sadin, já abordado em outros artigos nesta revista! É alguém que começou com o pé esquerdo, cuja chance de sucesso de alicerçar a cultura do empreendedorismo na alma é pequena. Ele, enfim, não estava tão motivado, não dava prioridade para o tema naquela época de sua vida. Mas o tempo passa, o mundo gira e novas motivações e prioridades surgem. Este mesmo colega poderá adquirir a cultura que descrevo.

   O incrível e fascinante que venho percebendo pelos estudos profundos sobre comportamento humano desde a virada do século e, anteriormente apenas como curiosidade, é que a maioria que não absorveu esta cultura não o fez por estar com o espírito armado ou ser negativista. A razão é muito mais simples: o indivíduo nunca teve ou se deu a chance de ler sobre o assunto! É como se ele vivesse na escuridão por anos e de repente começasse a vislumbrar uma nova vida, uma nova cultura, um novo saber. Isto, na verdade, se refere a qualquer assunto. Isto aconteceu comigo, há alguns anos, quando me dei esta chance e minha vida mudou. A maioria não se deu esta chance. Dos 45 mil colegas que militam na clínica de pequenos animais do Brasil, quantos estarão lendo este artigo? Na minha audaz e prepotente visão, lamentavelmente, a minoria dos colegas alcançará a luz que discutimos aqui. Veterinários que são profissionais, teoricamente intelectualizados, preferem assistir novela, escutar a música “da hora” a ler este artigo ou livros sobre o tema.

   Desculpem novamente a prepotência, mas sei da capacidade intelectual (e não técnico-profissional) dos alunos de graduação, pós-graduação e estagiários com que lido diariamente, há 18 anos na docência. Esta constatação na verdade entristece-me, demasiadamente, pois minha missão primordial é ser educador. Assim, mudar seu comportamento dentro da empresa (e em casa) exige inicialmente saber como você atua, quem você é, como são os comportamentos de outros que deram certo! Intuição e histórico de sucesso anterior são relevantes, porém não são garantia de sucesso futuro. Aprender sim! Ter “feedback” de seus funcionários e familiares pode ser um início, porém, vá com calma!

   Não adianta saber de um dia para o outro o que seu funcionário da limpeza pensa de você se você não estiver preparado para usar esta informação! Pior, as críticas podem vir a deprimi-lo, inclusive! Aconselho vários processos para se aprender e colocar em prática, inclusive cursos que ministramos. Por exemplo: ler vários e bons livros, assistir a palestras, freqüentar cursos. Aliás, a Anclivepa-SP, juntamente com a FIA-USP, promoverão um curso de 2 anos sobre Gestão de Clínicas a partir deste ano, além de cursos sobre Competências e Habilidades Pessoais. Ademais, a contratação de um “coach” pode ser valiosa, embora isto ainda seja novo em nossa profissão. Cursos como Empretec são muito bons para auto-conhecimento, além de outros. Porém cuidado, há muita coisa estranha e de baixa qualidade por aí!

   Após se inteirar sobre o assunto, o que leva meses, ou mesmo durante o processo de aprendizado, comece de fato a colocar em prática. Esta é a parte mais difícil. Idealmente, pense em ter um “coach”, ou seja, um conselheiro ou mentor a seu lado, instruindo-o nesta caminhada.

   Nunca se esqueça: mudar seu comportamento para o bem, cientificamente, trará como conseqüência uma maior lucratividade, entre outros fatores, que abordaremos em outro artigo! Comece a ler e, se tiver dúvida, contate-nos. Se achar tudo isso uma bobagem, não há problema, outros vão usar as técnicas e ganhar mais do que você, pode estar certo!

Marco A. Gioso
Presidente da Anclivepa-SP

 
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