Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais
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Artigo científico

DISPLASIA OCULAR E ESQUELÉTICA EM LABRADORES - Relato de Caso

Patrícia R. Cuyumjian
MV Radiologista de Spécialité Diagóstico Veterinário
Monitora do Curso de Especialização em Diagnóstico por Imagem Veterinário - ANCLIVEPA/SP


A displasia óculo-esquelética é uma doença congênita incomum que leva a alterações oculares e de esqueleto apendicular, produzindo indivíduos anões e desproporcionais. Este breve relato de caso apresenta um filhote da raça Retriever do Labrador com o quadro.

   As displasias osteocondrais englobam um grupo de desordens relativas ao crescimento e ao desenvolvimento do sistema esquelético. Algumas destas alterações podem ser reconhecidas ao nascimento e outras somente após a completa formação do esqueleto1,2,3,5.

    Radiograficamente, muitas osteocondrodisplasias são similares, porém possuem diferenças histológicas e bioquímicas. Assim, devido à variação dos sistemas de classificação, a caracterização dessas afecções é complicada5.

    Muitas dessas desordens são relacionadas a defeitos autossômicos recessivos e alguns defeitos genéticos podem levar a alterações em outros sistemas, acompanhando a osteocondrodisplasia3,5.

    A displasia óculo-esquelética é uma doença congênita incomum, cuja transmissão ocorre de maneira autossômica e recessiva. Acomete Retrievers do Labrador, mas também já foi descrita em Pastores Alemães e Samoiedas e leva a alterações oculares e de esqueleto apendicular, produzindo indivíduos anões e desproporcionais3,5.

Alterações esperadas nos animais acometidos pela displasia óculo-esquelética 2,3,4,5

1 - encurtamento dos ossos longos;
2 - desenvolvimento articular anormal (principalmente de articulações coxo-femorais e úmerorádio- ulnares);
3 - retardo no crescimento dos ossos rádio e ulna;
4 - assimetria no crescimento entre ossos pareados (rádio e ulna);
5 - má-formação dos côndilos umerais;
6 - não-união ou hipoplasia dos processos ancôneo e coronóide;
7 - displasia coxofemoral;
8 - desenvolvimento retardado das epífises ósseas;
9 - catarata;
10 - displasia de retina, com diminuição da
capacidade de visão noturna;
11 - descolamento de retina.


RELATO DE CASO

   Foi atendido no setor de radiologia do Spécialité Diagnóstico Veterinário, um cão da raça Retriever do Labrador, de cor chocolate, macho, de cinco meses de idade, com angulação e encurtamento dos membros torácicos, quando comparados aos membros pélvicos. A suspeita clínica inicial foi de fechamento precoce do disco epifisário distal do rádio e (ou) da ulna. O filhote aparentava ter menor estatura do que o esperado para um animal da sua raça e idade.

   Os exames radiográficos sugeriram encurvamento dos rádios, com alteração do eixo articular úmero-rádio-ulnar bilateralmente, porém sem qualquer indício de fechamento precoce dos discos epifisários distais de ulnas ou de rádios.

   Aproximadamente um mês após as primeiras radiografias, um controle foi realizado para reavaliação do quadro e os aspectos radiográficos e clínicos mantiveram-se inalterados. Durante a realização do exame, a proprietária do animal foi questionada quanto à acuidade visual do filhote, sendo relatadas falhas de visão, notadas pelo fato do animal chocar-se algumas vezes contra objetos em sua residência.

    O diagnóstico presuntivo de displasia ocular e esquelética do labrador foi fechado a partir dos aspectos
radiográficos e do histórico do animal.


Figura 1 - Radiografia em projeção médio-lateral de rádio e ulna, demonstrando
encurvamento da diáfise do rádio e presença de discos epifisários de
rádio e ulna abertos.
Figura 2 - Radiografia em projeção crânio-caudal de rádio e ulna,
evidenciando a assimetria no crescimento dos dois ossos,
alterando a congruência da articulação úmero-rádioulnar.

BIBLIOGRAFIA

1. Kealy, J.K.; McAllister, H. radiologia e Ultra-sonografia do cão e do gato. 3a edição, 2000;

2. Morgan, J.P. radiology of Veterinary orthopedics, 2a edição, 1999;

3. Carrig, C.B.; Sponenberg, D.P.; Schmidt, G.M.; tvedten, H.W. Inheritance of associated ocular and skeletal dysplasia in Labrador Retrievers. Journal of American Veterinary medical Association, n. 193, p.1269-1272. 1988;

4. Cook, J.L.; Jordan, R.C. What is your diagnosis? Journal of American Veterinary medical Association, n. 210, p.329-330. 1997;

5. thrall, D.e. Textbook of Veterinary Diagnostic radiology. Philadelphia, W.B. Saunders Company, 4a edição. 2002;

6. thrall, D.e. Textbook of Veterinary Diagnostic radiology. Philadelphia, W.B. Saunders-Elsevier, 5a edição. 2007.

 
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