Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais

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Opinião


COLUNA PROTEÇÃO ANIMAL

Por Wilson Grassi
Membro da comissão de bem-estar animal da ANCLIVEPA-SP
Membro da Sociedade Vegetariana Brasileira
Autor do livro Seja Vegano


Revista da ANCLIVEPA-SP- Nº 59 - 2008

   Esta será uma coluna periódica. E neste primeiro artigo, é necessário explicar que, como o título já sugere, a Coluna da Proteção Animal da Anclivepa-SP abordarará os assuntos em questão, não pelo ponto de vista dos interesses dos médicos veterinários. Para isso, já se tem muitos outros canais, mas sim pelo ponto de vista de quem defende os interesses dos animais. Então, prepare-se para ler coisas novas!

   Para começar, abordaremos um assunto bem polêmico, mas que não poderia ficar de fora deste espaço. A questão da proibição da eutanásia de animais saudáveis pelos centros de zoonoses de todo Estado de São Paulo. Tem havido muitas reclamações de médicos veterinários, mas o que não se sabe é se são realmente muitos veterinários reclamando (pois são sempre os mesmos) ou se os que estão reclamando é que o fazem com muita intensidade e, assim, se fazem parecer muitos.

   A lei do Deputado Feliciano é realmente incompleta. Não implanta uma política pública de controle da população canina, não coloca verba na educação sobre a guarda responsável, não dá tempo nem recursos para os centro de zoonoses se estruturarem para abrigar os animais que não mais serão eutanasiados, não ajuda a organizar os chamados protetores de animais que, na prática, são pessoas que se dedicam, entre outras coisas, a organizar feiras de adoção. Mas no final das contas e, apesar de tudo isso, a lei é positiva.

   A despeito da lei ser considerada eleitoreira ou não, incompleta ou não, estar causando mau-estar ou bem-estar aos animais que lá estão amontoados e sem expectativas de adoção, ela tem o mérito de levantar uma questão: se temos o direito ou não de eliminar animais saudáveis que, na maioria das vezes, nasceram por ação ou no mínimo inação da nossa sociedade. Estimulamos a reprodução dos cães de raça, muitas vezes tratados como mercadorias, e consentimos com a reprodução dos sem raça. E depois? Eliminamos o excedente! Isso não parece muito certo.

   A questão parece colocada em discussão definitivamente. Para alguns poucos veterinários, reclamar é fácil! Mas o que nós estávamos discutindo ou fazendo por este assunto antes desta lei?
 
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