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Matéria
de Capa |

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ESTÁGIO
NO EXTERIOR - Aprenda com quem já
esteve lá.
Texto e Reportagem
Daniel G. Ferro
Editor
da Revista da ANCLIVEPA-SP
Revista da ANCLIVEPA-SP- Nº
61 - 2009
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Diante
de tantas incertezas a respeito da nova
lei dos estágios no Brasil, buscar
aperfeiçoamento fora do país
pode ser uma excelente alternativa.
A Revista da Anclivepa São Paulo
mostra a história de um de seus
alunos de especialização
que foi conhecer de perto a oftalmologia
veterinária na América
do Norte e aproveita para mostrar um
passo-a-passo para quem quer chegar
lá também. |
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Calgary, província
de Alberta, Canadá.
Setembro de 2008, -11º
C.
‘Se
você ficar pensando que algo pode
sair errado, já começou errado’.
Com esta frase simples, Fábio descreve
a sensação que teve e as decisões
que tomou quando resolveu partir para a
América do Norte em busca de novos
contatos, de uma nova cultura, de outra
medicina veterinária.
Aluno do Curso de Especialização
em Oftalmologia Veterinária da Anclivepa-SP,
Fábio Luiz Silva Pina, formado em
2003 pela Universidade Federal Rural de
Pernambuco (UFRPE) defendeu seu Mestrado
em 2007 na mesma escola. Seu foco de estudo
já era a oftalmologia.
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Longe dos grandes centros como
São Paulo, a casuística de especialidades
é bem diferente. Meu contato com a clínica
e a cirurgia oftalmológicas não foi
suficiente para a formação que eu
tenho buscado’, define com rara clareza. ‘Quando
a gente sente que falta alguma coisa, só
resta correr atrás. Por isso estou muito
feliz fazendo o curso (de especialização),
apesar de todas as dificuldades financeiras e de
logística’. Fábio mora em Recife,
PE.
Mas algumas pessoas não
se contentam com apenas um objetivo. Enquanto trilham
um caminho, têm a capacidade de planejar outro
e, para conquistá-lo, começam outra
batalha. Foi o que ele fez quando, mesmo cursando
especialização em São Paulo,
decidiu que faria um estágio em oftalmologia
fora do Brasil.
Estabeleceu dois destinos: EUA
ou Canadá. E por obra de seu planejamento
– e não do destino – desembarcou
em Calgary, a terceira cidade mais populosa do Canadá.
‘A forma carinhosa com que fui tratado por
lá não me deixam dúvidas de
que fiz a escolha certa’, conclui Fábio.
A apenas 80 km das belíssimas
e famosas Rochosas de Calgary, a cidade é
hoje o centro financeiro de Alberta, uma jovem província
canadense com apenas 103 anos de idade! Sua localização
no extremo sudoeste do país confere à
região uma condição climática
‘mais amena’ (ou menos inóspita,
para os padrões tropicais) quando comparada
ao centro-norte do país. ‘Eu cheguei
a pegar 11 graus negativos por lá’,
diz Fábio, com um sorriso. ‘Mas em
ambientes fechados todos ficam de camiseta. O país
é preparado para viver o frio’.
Seu local de estágio foi
o CARE Centre Animal Hospital também
chamado de Calgary Animal Referral and Emergency
Centre. Trata-se de um hospital particular
que pertence à Associação de
Clínicos Veterinário do Canadá.
Isso mesmo: a ‘Anclivepa do Canadá’
mantém diversos hospitais de alto nível,
espalhados pelo país! Um deles é o
CARE Animal Hospital, um centro de referência
com cerca de 2.400 m2 de área construída!
‘O mais gratificante pra
mim foi perceber que tudo que se faz por lá
nós fazemos aqui. Tudo que tenho aprendido
no curso (de especialização da Anclivepa-SP)
era feito no hospital e cobrado de forma justa!’,
compara Fábio. Uma cirurgia de catarata,
por exemplo, gira em torno de CAD$ 3.300,00 (para
o tratamento dos dois olhos ao mesmo tempo). A consulta
oftalmológica no hospital custa CAD$ 160,00
(em 10 de fevereiro de 2009, o dólar canadense
custava o equivalente a R$ 1,83).
Para facilitar a vida de quem
se sentiu estimulado a tentar algo longe daqui,
a Revista da Anclivepa São Paulo descreve
detalhadamente os passos que Fábio trilhou
até cumprir seu objetivo. Vale a pena olhar
e entender que as dificuldades são enormes,
mas plenamente superáveis.
E quem já está pensando
no fator ‘comunicação’,
Fábio esclarece: ‘meu inglês
foi suficiente para que eu me comunicasse bem. Cometo
muitos erros ainda, mas isso não foi motivo
que eu desistisse de ir’, diz. ‘O mais
difícil são as conversas informais,
pois o dia-a-dia do hospital dá para acompanhar
muito bem! Quando se quer muito, a comunicação
é um pequeno passo apenas’, ensina.
Hoje, olhando fotos de sua estada
de 1 mês e 15 dias, a saudade aperta e embarga
sua voz. Depois de conviver e fazer amizade com
membros do Colégio Americano de Oftalmologia
Veterinária, com technicians e com
auxiliares de technicians – é,
no Canadá existem auxiliares de technicians!
- há quem possa dizer que este é um
veterinário que ‘nasceu virado para
a lua’. Mas quem o ouve contar sua história
de vida e os passos que deu até embarcar
para o Canadá, logo entende que sorte é
apenas figura de linguagem para pessoas como Fábio.
Demonstrando sensibilidade perante
tantas e tantas histórias de brasileiros
que também buscam seu sucesso, ele prefere
não publicar sua infância e sua adolescência.
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Os
passos de Fábio Luiz para estagiar
no Canadá
LOCAL
DE ESTÁGIO
1. Através do site da ACVO (American
College of Veterinary Oftalmology), procurou
veterinários oftalmologistas que compunham
o quadro do colégio americano;
2. Enviou e-mails a vários deles, tanto
dos EUA como do Canadá;
3. Um deles, do CARE (ver reportagem anterior)
respondeu seu e-mail;
4. Entrou em contato (via e-mail) com o diretor
do hospital;
5. Enviou seu Curriculum vitae;
6. Solicitou ao hospital uma carta-convite
para o estágio, a fim de anexar aos
documentos necessários para obtenção
do visto canadense;
7. Pediu orientação ao hospital
quanto a estadia que oferecia hospedagem ao
custo de CAD$ 450,00 por mês;
VISTO CANADENSE
1. Contratou serviço de despachante
ligado a uma empresa de viagem;
2. Reuniu documentos que comprovavam seu vínculo
ao Brasil como contratos firmados no país
(trabalho, cursos, etc.) e certidão
de casamento, além da carta-convite
enviada pelo Hospital canadense.
OBS: Para estes casos, são importantes
também documentos como matrícula
em cursos de pós-graduação,
certidão de nascimento de filhos, registros
de imóveis e outros bens pessoais.
Fábio obteve seu visto em cerca de
30 dias;
A VIAGEM
1. Obteve atestado médico (de um médico
credenciado pelo Governo do Canadá).
O site do consulado ou mesmo agências
de viagem oferecem uma lista deles;
2. Fez um seguro-saúde, ainda que não
tenha sido exigido pelo Hospital canadense;
3. Comprou a passagem;
4. Embarcou cerca de um mês depois da
compra da passagem. Estagiou durante 1 mês
e 15 dias.
CUSTOS
Passagem ida e volta: US$ 1.600,00
Alimentação e hospedagem: US$
1.100,00
Despachante/Visto/Médico: R$ 800,00
OBS: Após consultar diversos pacotes
de viagens, Fábio concluiu que gastaria
em torno de 9 a 10 mil reais pelo mesmo período.
Optou então por viajar por conta própria
e economizar. O turismo ficou para uma outra
oportunidade. |
Para
saber mais, leia “Guia prático de sobrevivência.
Como estudar ou estagiar no exterior” do Professor
Marco Antonio Gioso, nas livrarias Cultura.
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